Os filhos de Burle Marx


Conheci Zé Andrade em 1976.
Impressionou-me, neste primeiro contato, a inteligência superior e a erudição de que era dotado, o que lhe permitia discorrer sobre os diferentes assuntos, refletindo sempre com clareza de
raciocínio e bastante poder de convicção.
Àquela altura, eu desconhecia sua atividade como ceramista.
Depois, então, a bela surpresa, na descoberta da sua arte.

O criador absolutamente original, sua crônica de costumes expressa no seu modo de ver figuras e celebridades no mundo contemporâneo deixaram-me fascinado. Falei sobre ele com Roberto Burle Marx.
O mestre do paisagismo revelou-me guardar certa aversão por esse gênero de expressão. Não tocamos mais no assunto.

O tempo passou e Zé Andrade foi se firmando no mundo das artes, conquistando merecidamente a posição que lhe cabia.
Nos 80 anos de Roberto Burle Marx resolvi oferecer de presente ao amigo paisagista, uma obra do ceramista: a própria figura de Burle Marx moldada em cerâmica, no formato de miniatura, tal como o ceramista faz com dezenas de outras celebridades. Ofereci um pacote com várias peças. Burle Marx encantou-se.

À noite, no jantar foi distribuindo os bonequinhos aos convidados, enquanto fazia blague, numa verdadeira consagração à arte de Zé Andrade.
São meus filhos. Recém-saídos do meu útero.
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Professor
Moacyr Bastos.
Reitor da Universididade
Moacyr Bastos,
preside também a
Fundação Burle Marx